quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Depois do fim.

Sim, o mundo tal como conhecemos havia acabado. Sabe das tais previsões de final do mundo? Coisa de louco, bobeira, fantasia de lunáticos? Não, não!!! Era verdade, acabou mesmo! Mas sem explosões, guerras, tsunamis, terremotos ou invasão de ETs. Acabou quando os homens entenderam as mulheres e elas mesmas se entenderam. Um programa de computador que misturava um pouquinho de física básica de ensino médio, cálculo básico, computação básica e uma boa dose de intuição. Azul conseguiu condensar em 666 Kbites o comportamento feminino. Lembra do número apocalíptico de 666? Tá aí, era o tamanho do programa, nada de demônio, só um programa que mudaria todo o mundo. Caberia num pequeno disquete de computador, se eles ainda fosse usados! A partir do dia em que as mulheres se entenderam e que os homens as entenderam, esse planeta deixou de ser um local de expiação e provas e passou a ser o tão sonhado paraíso!!!

Gizellye e o fim de uma era

Azul gastou dias pensando se devia ou não publicar seu programa que poderia mudar o mundo. Pensou, pensou  e soube por uma amigo que seu programa havia sido roubado de seu computador, provavelmente por um hacker. Tarde demais, a decisão não era mais dele. Procurou na internet e se assombrou quando viu seu programa em diversos sites, diversas culturas, muitas línguas. Foi o assunto principal do twitter por duas semanas seguidas, ficou famoso pelo facebook, por correntes de e-mail. Tanto homens como mulheres queriam o tal programa, por motivos diferentes. Mulheres queriam ver se o programa as ajudava a se entender. Homens queriam recuperar o controle sobre o sexo dito frágil. Psicólogos queriam entender suas pacientes mais complexas. Publicitários queriam saber como vender mais produtos para mulheres. Políticos queriam saber o que dizer para ganharem votos de mulheres nas eleições. Pais queriam entender suas filhas. Cada um por um motivo diferente, mas todos tinham interesse no tal programa.
Azul estava chateado, o programa foi roubado, não havia menção ao seu nome, não haveria mérito, nem lucro, nem nada. Por outro lado, caso o mundo piorasse por causa do seu programa, ele não seria responsabilizado. Gizellye o consolava, não havia mais o que ser feito.
Era o fim de uma era. Depois dos atentados terroristas em Nova York, uma nova explosão balançaria e desiquilibraria o mundo todo: a explosão digital de um pequeno programa de computador.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Gyzellye 18.43 - sucesso, mulheres completamente previsíveis.

6 meses depois

Gyzellye e Azul estiveram juntos em dois congressos científicos, um deles promovidos pela ANB- Associação de Nerds do Brasil  e o outro  pela OMC, Organização das Mulheres Complicadas. Recentemente tiveram um convite para fazer um seminário na Federação das Mulheres Mal Amadas, organização que apoiou financeiramente o projeto e que acredita que existem muitas mulheres solteironas apenas por incompetência masculina. Azul recebeu carta convite para palestrar na AMASSO - Associação dos Masturbadores Solitários da américa latina - mas nesse encontro ele não levaria Gyzellye de jeito nenhum e não daria a mão para cumprimentar ninguém!

Enfim, o projeto de Azul ganhava fama e, curiosamente, Gyzellye passou de inimiga para a posição de melhor cooperadora do projeto. Ela agora gostava de aparecer do lado de Azul nas palestras e de ter seu nome citado nos  trabalhos científicos dele sobre seu estudo das mulheres. O rapaz levava a sério o projeto, fez matérias específicas no curso de pós-graduação da Matemática para melhorar seu cálculo. Além disso, cursou matérias de pós em cursos com muitas mulheres para observar o comportamento feminino e melhorar seus cálculos. O tema de Azul já era conhecido pelos seus colegas pois ele já fora entrevistado em rádios, saiu no jornal da universidade, tinha proposta de uma empresa de software para comercialização, ouviu até dizer que seria entrevistado na TV.

O programa de computador tinha melhorado muito, a versão atual era a Gyzellye 18.43, foram feitas centenas de melhorias no programa inicial. A equação que regia o comportamento feminino tinha aproximadamente 16 linhas (escrita em letra pequena, fonte 10), muito maior que as equações que regem a luz, o movimento dos corpos ou mesmo a relatividade geral. Na primeira versão, o índice de acerto do programa era muito baixo, 35%. Agora nas versões finais, o índice de acerto tinha subido para 97%, era um maravilhoso sucesso.

Azul contou, obviamente, com o cooperação de seus colegas de república, primos, vizinhos, todos testaram o programa com suas namoradas ou esposas e garantiram o sucesso do cálculo, realmente agora era possível prever o comportamento feminino. Não só prever, como se podia interferir, modificar, lapidar, suavizar hábitos e reações. Suas companheiras não ficavam mais tristes, chorosas, chatas ou vingativas, eles sabiam de antemão o que fazer para mudar o estado emocional delas.

Mulheres sempre constantes, estáveis, previsíveis, meigas e solícitas, foi isso o que se conseguiu obter. A cultura mundial mudaria aos poucos com essa nova ferramenta. Depois do Google e das redes sociais, era a vez de Azul mudar o mundo. Azul olhou para a janela e viu de novo aquele raio de luz entrando, talvez querendo dizer alguma coisa.

Apesar dessa fantasia, Azul agora sentia medo, paura, dormia com dificuldade. Ele não tinha mais certeza se tinha conseguido a cura para um problema secular, ou se inventara uma bomba que destruiria de vez a conturbada relação mulher-homem. Herói ou bandido, Gandhi ou Hitler, de que lado a história o colocaria?
(continua).

domingo, 10 de abril de 2011

Gizellye 1.1 chatice induzida

Um cheiro de queimado vinha da pequena cozinha da república de estudantes. Azul correu para tirar o miojo do fogo, a água evaporou, só tinha aquela massa queimada no fundo da panela. Tinha se distraído por causa da bendita teoria. Remexia os papéis com os cálculos do programa que preveria o comportamento feminino. Tinha uma pilha bagunçada de papel que ele rabiscou. Separou as últimas folhas, que tinham a versão final da equação que governaria o comportamento feminino. Fez então um programa de computador em  linguagem Fortran usando a tal equação. Bem, o programa Gizellye 1.0 precisava de dados de entrada para rodarem o programa. Nessa versão, precisava quantificar o comportamento de Gizellye em cada hora.

Não bastava dizer se ela estava legal ou chata. Tinha de dar uma nota diária entre +5 e -5. Para que isso não fosse subjetivo - físicos evitam coisas subjetivas - criou critérios muito bem definidos. Prestaria atenção na cara dela. Sorriso vale um ponto. Cara de brava ou descontentamento vale -1. Era a hora do encontro noturno com Gizellye. Resolveu arriscar e levou consigo uma pequena agenda, onde ele marcaria, sem ela perceber,  os valores numa tabela. Ele iria fingir que estava desenhando numa folha em branco.

 No primeiro encontro depois dos cálculos, Gizellye era mais que uma namorada bonitona, era um verdadeiro laboratório ambulante. Chegou linda, cheirosa, mas o encontro seria de trabalho, ao menos para ele. Gi parecia brava, disse que foi mal na matéria de dança contemporânea, que o professor foi injusto, aquela franga velha... Ele anotou lá, discretamente: -1 ponto. Depois ela riu e disse que  tomou um sorvete delicioso que ele precisaria experimentar:+1 ponto. Meia hora depois o placar era -23 e + 22, ou seja, bem equilibrado.

 Azul se contentava com seu novo método e sonhava com a possibilidade de poder prever coisas dali a algum tempo. Só que Gizellye percebeu que ele não estava desenhando, tomou dele a pequena agenda e viu uma tabela minúscula com duas colunas: chata e legal, toda marcada. Ela deu um  tremendo piti ali mesmo, você pensa que eu sou uma coisa, está me usando seu &*%%$#???? Falou, falou, bateu na mesa, ameaçou, chorou bem pouquinho, falou e falou. Uma mulher em desabafo, um vulcão feminino. Depois que ela achou a tabela, o placar saltou par -345 e +22 (ele continuou anotando pontinhos na palma da mão com a caneta)!!! Alguma dúvida que ele a deixou chata? Azul descobriu ali um novo conceito: chatice natural e chatice induzida. Ele induziu chatice em Gi quando ela percebeu as anotações. O programa precisava ser revisto, tinha de acrescentar esse novo conceito na versão Gizellye 1.1 do programa.

sábado, 9 de abril de 2011

Gizellye 1.0 versão beta.

Era uma vez um aluno de mestrado de física. Era magro, usava oclinhos, tinha espinhas, ia de bike para a universidade e não tinha muita certeza de onde trabalharia num futuro próximo. Bom, quase todo físico é assim, pelo menos no começo.

A vida dele dependia de três coisas: da bolsa de mestrado, que é uma espécie de salário, do trabalho que ele executava no mestrado - seu esforço nas matérias e na tese - e finalmente dependia da namorada. Sem a bolsa ele passaria fome (mais fome, pois bolsa dá direito a participar da classe C ou  D) e não conseguiria estudar e nem manter o namoro. Sem fazer as matérias ele perderia a bolsa e, em pouco tempo, perderia sua namorada, que não gostaria de homem vagabundo e pobretão. Sem a namorada ele ficaria carente, nervoso, e iria mal nas matérias, perderia a bolsa e se ferraria mais ainda. Admirava alguns amigos, muito mais nerds que ele, não tinham namorada e parece que sentiam tezão do trabalho. Cara tô fazendo uma matéria de topologia quântica do caos, diziam quase se derretendo. Nosso físico não era assim. Gostava do curso, mas não assim, desse jeito. Pensava em perguntar se eles não pensam em apertar uns peitinhos de vez em quando, mas achava que isso ia ser um golpe muito cruel.

Bom, a vida dele não era tão simples. Metido o dia inteiro no lab - abreviação para laboratório - e as vezes fazendo cálculos no micro, só via a namorada algumas vezes por semana. Ela queria que ele dedicasse mais tempo, que aproveitassem mais a vida, queria conhecer barzinhos novos, dançar e realizar aquela (maldita) fantasia da praia. Por que mulheres tem fantasias difíceis de realizar, é para sacanear os homens enquanto eles as sacaneiam?

Gizellye é o nome da beata figura, namorada do nosso amigo Azul. Sim, um cara com nome de cor. O pai queria juntar a primeira e a última letra no nome, tentou, tentou e só achou 'azul'. Uma cor que quase todo mundo gosta. Mau gosto? Sim, mas era tarde demais para reclamar. Se o nome fosse Rosa, daí a coisa ia ser preta e ele ficaria verde de raiva.

Bom, Azul conheceu Gizellye dançando forró, nos poucos que ele foi. Como a maioria dos exatóides, dançava mal. Não interessa, o cupido estava lá e apresentou os pombinhos. Ela era aluna da faculdade de dança, o oposto dele, bebia cerveja, tinha muitas amizades, não era tímida e tinha uma quilometragem bem rodada apesar de ter a mesma idade. Só que tinha uma coisa: era bonita, boa. A maioria das dançarinas são bonitas e essa não fugia da regra, além de muito simpática, carismática.  Ele queria continuar com ela. Uma certeza na vida dele, pelo menos isso. Depois de meses juntos, ela continuava reclamando dele.

Físico gosta de prever coisas, de imaginar como as coisas acontecerão. Estudam a evolução do universo, evolução do sistema de massa-mola, de um pêndulo amortecido, ou de um átomo numa prisão quântica. Era óbvio que ele tentasse imaginar o futuro do seu namoro. A droga é que não tem livro que descreva mulheres. Tem conta feita para tudo, já quase calcularam tudo o que está na nossa volta, mas ninguém calculou como prever o comportamento feminino!!!

Se Azul pretendesse continuar com nossa descolada Gizellye, precisaria se preocupar com isso, pois o pé na bunda era algo iminente. Um cara com alguma inteligência deve usá-la para resolver problemas. Ele tinha um problema e tinha de trabalhar no assunto. Num domingo a tarde, que não conseguiu sair de casa pela chuva forte, pegou umas folhas sulfite e começou a rascunhar, desenhar, rabiscar, fez umas fórmulas e deu início ao que deveria se tornar no 'cálculo do comportamento feminino'. Ele olhou para a janela e teve a impressão que tinha um raio de luz forte vindo de cima. Seria ele mais um enviado dos céus para resolver o problema do sofrimento humano, mais especificamente, do sofrimento dos homens? E lá nascia uma nova teoria.
(continuarei).

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Nasceu, e é um blog, parabéns papai.

Há algum tempo escrevo coisas que vão para a lixeira. Provavelmente são lixo mesmo. Mas tem lixo que é reciclável, talvez algum texto meu sirva para criar outro texto novo. Ecologia das palavras. Imagine a situação: racionamento de sílabas - economize o que você escreve, mande menos e-mails, menos sms, pare de escrever cartões de natal. Spam então, nem pensar, puro desperdício de letras. Crime ecológico. Sabe quantas crianças analfabetas adorariam poder usar algumas das letrinhas que você está desperdiçando? Ou algo mais aterrorizante: Nostradamus previu que em 2014 haverá uma grande seca de palavras e cada pessoa poderá escrever no máximo uma palavra por dia. Que tragédia.

Aqui começa o meu maior desperdício. Tempo e letras gastos para expressar idéias. Um blog, ou blogue, para falar o que quiser. Foi difícil escolher o nome. Como não será nada muito bem acabado, achei que 'rascunho da avesso' seria um nome que levaria a esse lado informal do que escrevo. Quanto à minha assinatura, pensei em Fábio Surfistão, já que vim da praia (Caraguá) e tem um blog de uma tal surfistinha que fez muito sucesso, mas o produto que ela trabalhava não era só palavras...Pensei e peguei mesmo o Fábio Equinoxe, sendo Equinoxe (equinócio - dia e noite com a mesma duração) nome de um disco que adorei na adolescência. Disco não, fita cassete, coisa antiga...Momento tio sukita.

Talvez eu consiga colocar aqui as críticas que tenho da nossa sociedade ambígua, da porcaria do bbb, dos motoristas energúmenos (adoro essa palavra), dos funkeiros e piriguetes, mas não quero perder tempo só falando de coisa que incomoda. Também quero brincar com coisas que me divertem. Por exemplo: não vejo a hora de fazer o meu modelo físico das mulheres. Tentar descrever uma mulher como se ela fosse um pêndulo da física. Muitos anos atrás eu tinha um sonho impossível. Não preciso mais dele realizado, mas acho ele tão engraçado que quero escrever sobre ele: dez anos atrás eu percebi que nós  homens não entendemos as mulheres. Pior, não conseguimos prever seus comportamentos. Imaginei que fosse possível estudar cada mulher, da mesma forma que a meteorologia estuda uma região do país e daí consegue, com certa probabilidade, dizer se vai fazer sol ou chuva lá. Já pensou saber de antemão se sua esposa ou namorada estará mal humorada amanhã? Daria para planejar o amanhã (pura ilusão, nem elas mesmo se entendem). Elas são imprevisíveis, eram, agora temos a teoria que explica tudo e prevê resultados. Bom, queria fazer um programa de computador, um cálculo, que dissesse: hoje ela tem x% de chance de estar assim! Pelo gráfico, dentro de 3 dias ela ficará bem chata: vamos injetar chocolate na vida dela.  Seguindo essa curva, na segunda-feira próxima ela ficará muito legal, dia ideal para sairem juntos.  Já pensou, ia vender muito mais que o Windows, todo mundo ia ter no seu micro ou celular o tal programinha instalado. Entrava com os dados, rodava o programa e pimba, saiu a previsão do humor da moça para amanhã. 

Bom, é isso, um laboratório de idéias e textos. Feito para divertir e para chutar a lata quando precisar. Voltem sempre. Prometo ao menos uma risada em cada visita.